Economia solidária como fonte de autonomia para mulheres: Nelsa Nespolo e a roupa de algodão agroecológico da Justa Trama

03/01/21|MODA

"Para que mulheres sejam realmente livres, elas precisam de autonomia econômica". Essa frase de Nelsa Nespolo é bem mais do que uma crença: é fruto da experiência prática junto à Justa Trama, cooperativa que ela ajudou a fundar e que se tornou referência latino-americana em economia solidária.

Diariamente, Nelsa vê mulheres ganharem protagonismo em suas vidas por meio do trabalho justo. Com ela não foi diferente. Filha de pequenos agricultores do interior do Rio Grande do Sul, começou sua trajetória na cidade como operária. A chegada dos filhos a fez decidir trabalhar por conta própria – mas logo sentiu falta de que outras mulheres trilhassem o mesmo caminho. Foi com esse convite à construção coletiva que Nelsa e outras 2 mulheres e que se juntaram depois em 35 mulheres que criaram a Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos (Univens) na periferia de Porto Alegre, em 1995. Era a semente da Justa Trama.

De início, o pequeno grupo de mulheres estava movido pelo desejo de aumentar a renda e ter horário regular de trabalho. Aos poucos, as costureiras foram desenhando um sonho coletivo ainda maior. A certeza veio na entrega de 60 mil sacolas de algodão para o Fórum Social Mundial, na capital gaúcha. Era o sinal de que o projeto estava pronto para ganhar novas dimensões.

“Naquele momento, pensei que poderíamos montar uma rede de trabalho com a qual todos pudessem ser beneficiados”, contou Nelsa. Hoje, são cerca de 600 cooperados(as)/associados(as). A iniciativa atua no segmento de confecção em cinco estados: Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Ceará e Rondônia. Por meio da cooperação entre regiões do país, gera uma cadeia produtiva completa, que vai desde a plantação do algodão agroecológico até a finalização das roupas em Porto Alegre.

Cada venda da Justa Trama, seja por vias digitais ou pelas feiras de economia solidária, é celebrada. Porque vender os produtos viabiliza economicamente tantas vidas, mas também porque revela histórias de cuidado, dedicação e esforço. Em todas as fases é possível dizer exatamente quem esteve à frente de cada processo, algo que enche de orgulho todos os envolvidos.

Durante a pandemia, o faturamento da Justa Trama triplicou – impulsionado pelo aumento da preocupação com a sustentabilidade na moda. Todos os resultados, como acontece desde o início, foram divididos igualmente entre os associados. É dessa forma que a remuneração para produtores e costureiras cooperados chega a ficar entre 30% e 100% acima do mercado.

Após todo o tempo dedicado ao cooperativismo, Nelsa não imagina mais um mundo sem cooperação. Na moda, o impacto positivo dessa forma de empreender está especialmente direcionado às mulheres, que são a maioria da força de trabalho do setor. Com foco no mercado brasileiro, a moda da Justa Trama sustenta pessoas. "Tudo que produzimos em roupas vai para sustentar, para vestir. Tem todo um processo inverso antes da peça chegar ao seu final – e que envolve muita gente. Gente que vive dos frutos desse trabalho".

O Instituto Lojas Renner é parceiro da Justa Trama há alguns anos. Em 2017, a cooperativa foi selecionada pelo Edital Empodera, parceria entre ONU Mulheres, Instituto Lojas Renner e Lojas Renner. Em 2018 a cooperativa conseguiu ampliar o espaço destinado à capacitação de mulheres da comunidade do bairro Sarandi em Porto Alegre, também com investimento do Instituto Lojas Renner. E, durante a pandemia em 2020, a Lojas Renner e o Instituto produziram máscaras de tecido para doação junto com a Justa Trama, gerando renda para as cooperadas neste momento difícil. Além disso, o auxílio emergencial também foi oferecido para o grupo, por três meses. Para conhecer mais sobre a Justa Trama e os passos dados rumo à equidade social e de gênero, acesse o site.

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