Moda com impacto social: a atuação de Marcella Mafra e Daniela Queiroga com o projeto Libertees.

26/12/20|MODA

O sonho de ressignificar a vida de inúmeras mulheres por meio do trabalho guiou Marcella Mafra e Daniela Queiroga a uma mudança – primeiro pessoal, depois coletiva. As duas eram executivas de empresas quando refizeram suas próprias jornadas, tendo a moda como um instrumento de transformação: criaram a Libertees, empresa social conectada ao sistema carcerário de Belo Horizonte.

Marcela e Daniela acreditam que trabalhar com as detentas do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto contribui com o processo de reintegração e impacta positivamente os índices de reincidência criminal. A Libertees contribui com noções de empreendedorismo para a vida delas fora do sistema penitenciário. E traz o conceito de moda com impacto social, revelando o poder das mulheres. Arte, capacitação e criatividade são incentivados no dia a dia por meio da pintura e da costura. Assim, talentos que tiveram suas vidas atravessadas são reconhecidos.

"Ensinamos que o que elas têm na veia não é o tráfico e sim liderança", escreveu Marcella. E acrescentou: "Depois de ouvirem algo que nunca ouviram na vida, a transformação é visível. Se vale a pena? Não temos dúvidas de que vale".

As coleções da Libertees são inspiradas por modelagem confortável (como a de uma t-shirt). Parte das coleções é produzida em tecidos ecológicos como composições de algodão orgânico com garrafa pet e malhas biodegradáveis. Outra marca registrada são as estampas exclusivas, feitas a partir dos desenhos e pinturas criadas pelas mulheres. A primeira coleção da marca, vale destacar, foi lançada no Minas Trend e conquistou o 3° lugar no concurso Ready to Go. Na passarela do mesmo evento, um dos maiores do Brasil, a marca também desfilou. Agora, conta até com e-commerce próprio.

O retorno das mulheres ao mercado de trabalho prova que apenas ensinar o ofício da costura não seria o caminho para alcançar o propósito do projeto – que é impactar a vida de mulheres encarceradas. A realidade de muitas, depois da liberdade, é diferente do que viveram na Libertees e o acesso ao emprego na área da moda, às vezes, é difícil para elas. Daí a decisão de atuar em prol do desenvolvimento humano de forma ampla. "Trabalhamos a autoestima, a empatia, o empoderamento. Falamos sobre serem fortes e se posicionarem de forma a fazer diferença na vida de outras pessoas", conclui Marcella.

Trata-se de reconstruir histórias. A rota da Libertees oferece desafios, sim (como o que veio com a Covid-19, momento em que elas precisaram readequar a produção para fabricar máscaras). Mas, no fim, sobram alegrias diante das oportunidades, dos planos e da chance de mostrar que sempre existe outro lado: "Apostamos na mão de obra cem por cento carcerária e feminina como solução para um futuro mais justo e colaborativo. Propósito e responsabilidade social fazem parte da nossa essência."

/ Mulheres estão conquistando espaço, mas não se veem representadas como gostariam. Por isso, a Renner e a Globo se juntaram para dar luz a histórias de mulheres que lideram a transformação por onde passam. São histórias de liderança, empreendedorismo, poder de escolha, saúde e bem-estar. Que merecem chegar a mais gente e, assim, inspirar novas mudanças. Mudanças individuais, que só dependem de cada uma de nós, e mudanças bem maiores. Tudo rumo ao mundo onde queremos viver!

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